Apoiar a nível local Comunidades de Transição, em que haja:
- Respeito pela natureza, e portanto, por nós próprios;
- Moderação na utilização dos recursos;
- Respeito pelos valores tradicionais;
- Valorização da produção local;
- Mais solidariedade.»
Pergunto-me como se sentirão presentemente os responsáveis pelo ordenamento do território da Madeira que permitiram que se construísse em locais tão inadequados (leitos de cheias, etc.). Não me parece que a chuva, ainda que extremamente intensa, nesse dia de Fevereiro de 2010, possa ser considerada a responsável pelo desastre. Para mim, tratou-se de mais um "desastre desnatural".
Acho curioso algumas pessoas criticarem o facto da Quercus aproveitar a onda mediática pós-acidente para apontar o dedo às autoridades. Para quem achou pouco oportuna a intervenção da Quercus, aqui fica o aviso feito por essa ONG dois anos antes. Mas, já em 1984, havia quem tivesse chamado a atenção para o problema num artigo aqui mencionado.
Ainda consigo ficar espantado com a irresponsabilidade das autoridades (in)competentes. Na minha perspectiva, são elas as responsáveis pelas dezenas de mortes. Não foi a chuva!
«É necessário compreender claramente que a própria dívida é uma ferramenta muito activa de controlo social, mas não da forma mais esperada. Num Sistema Monetário, toda a estrutura se baseia na participação humana. A estrutura é sempre hierárquica, pelo que os que estão no topo da pirâmide beneficiam sempre mais que os que se encontram mais abaixo. Mantendo as pessoas motivadas para terem empregos e com medo de os perderem torna-as subservientes, circunstâncias muito positivas para quem está no topo. Um pessoa, que "precisa" de um emprego, está mais sujeita a ter um vencimento baixo e é menos provável que cause problemas.
Uma das formas mais eficazes de pôr as pessoas a trabalhar e a manterem-se subordinadas é colocá-las na situação de devedoras. Uma pessoa muito endividada será muito mais submissa para com o sistema do que uma pessoa sem empréstimos ou dívidas por pagar. Este mecanismo de "Escravidão da Dívida" é pouco falado e pouca gente chega a pensar nisto. Teoricamente, cada dólar existente tem de ser devolvido ao sistema bancário e, para que isso aconteça, ele tem de ser "ganho" pela parte devedora, normalmente sob a forma de "vencimento" ou "lucro", requerendo um serviço/servidão humano.» Tradução livre de um excerto do manual do movimento Zeitgeist
Ainda sobre o mesmo assunto, recomendo que veja o seguinte filme (12min).
(Debt=Dívida)
Deveríamos estar conscientes desta realidade antes de recorrermos ao crédito.
(Os valores apresentados no filme são referentes aos EUA mas todo o conteúdo é merecedor da nossa atenção. Além disso, se os EUA se tornarem insolventes, desconfio que será difícil evitar um "efeito dominó" que atingirá muitos outros países.)
«A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo no presente.»
Albert Camus
(1913-1960)
Creio que para a maioria dos ocidentais, nascidos a partir dos anos 30 (séc. XX), a verdadeira "generosidade" para com o futuro tem consistido em hipotecá-lo e comprometê-lo para seu benefício imediato e em nome duma questionável concepção de progresso. É o que alguém chamou de tirania intergeracional remota - a tirania sobre as gerações futuras através dos efeitos das acções do presente.
Embora a amostra não seja grande, da minha convivência pessoal com pessoas nascidas antes dos anos 30, desconfio que todas elas se revêm mais na citação de Albert Camus.Parece que algo de bom se perdeu, entretanto.
O Dr. Chris Martenson enuncia as suas três crenças: que a nossa sociedade irá sofrer mudanças radicais em breve; que essas mudanças poderão limitar a nossa capacidade de resposta; e que dispomos da tecnologia ou conhecimento necessários para construir um futuro melhor. Os próximos 20 anos serão muito diferentes dos últimos 20.
PS: Agora que alguém se deu ao (excelente!) trabalho de o traduzir, tornou-se ainda mais imprescindível.